A rua era duvidosa (muito). A conversa que se ouvia era a seguinte:
- Ah, portanto sao estes os gajos que nos vao roubar os rins.
Mas os nossos amigos nos diziam que iria valer a pena. Fomos na confiaca.
A entrada tres tipos, nos seus cinquenta anos, alimentavam a sua bebedeira. Nao havia porta, nem hall, nem louge. Havia paredes com buracos, encanamentos a mostra e a direita um quatro con bicicletas penduradas na parede e contetores de lixo.
Continua-se a andar em frente e BUM.
Um bar gigante (dois andares, varanda, patio). Meio litro de cerveja (da forte) custava dois euros e as pessoas falvam aquela lingua que nao percebemos.
Pus me a imaginar como foi montada aquela decoracao. Imagem dois tipos que um dia compraram aquele casarao abandonado e sairam para ir a compras de mobilia. Imaginem-nos no ferro velho e nas lojas de segunda mao. Esta mesa com uma perna partida deve servir (um pouco de verniz, um pouco de tinta e ja esta), esta cadeira de ferro cheia de rorocos barrocos ficava era bem se a pintassemos metade de verlho e outra metade de azul (da um ar cool). As compras comecaram assim. Mas eles foram empolgando-se. Quando deram por eles tinha comprado um carro amarelo (em que os assentos fazem de cadeiras e o volante faz de mesa), umas televisoes velhas (que exibiam umas imagens psicadelicas) e duas banheiras.
Nos ficamos nas banheiras (cortadas de um lado e revistidas de almofadas para nos podermos sentar).
O resto e a historia de como jogos para beber transformavam noites em noites memoraveis.
E viva Budapeste.
"A maior das viagens começa com um simples passo..."
- João P. Cliché in "Memórias de mis frases-feitas"
- João P. Cliché in "Memórias de mis frases-feitas"
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Budapest? No Budapest
O terreno esta a tornar se cada vez mais escorregadio. Na polonia nao sabiamos comunicar mas, como diz o chico, eles pelo menos conheciam a linguam universal dos gestos. por aqui nao.
Estavamos, portanto, no comboio de cracovia para budapest quando, as cinco da manha, entra o controlador do bilhete.
- Budapest? No Budapest, this train Bucharest.
Nao nao mas nos compramos bilhetes para budapeste, estava la escrito quando o comboio chegou temos a certeza que estamos no comboio certo.
- No, no Budapest, Bucharest. Must leave.
- But how? Why?
- No Budapest, this train Bucharest.
- Where are we?
- Must leave. This train Romenia.
E essa foi a historia de como andamos perdidos pela Hungria Rural ate (algumas horas depois e muita linguagem gestual praticada) termos conseguido chegar a Budapest.
Confirma-se. Aqui ninguem fala ingles. O melhor e: ele falam connosco em hungaro como se percebessemos tudo. E nos rimos. Ja que se disseremos "no hungarian, just english" eles nao iriam perceber de qualquer forma.
Estavamos, portanto, no comboio de cracovia para budapest quando, as cinco da manha, entra o controlador do bilhete.
- Budapest? No Budapest, this train Bucharest.
Nao nao mas nos compramos bilhetes para budapeste, estava la escrito quando o comboio chegou temos a certeza que estamos no comboio certo.
- No, no Budapest, Bucharest. Must leave.
- But how? Why?
- No Budapest, this train Bucharest.
- Where are we?
- Must leave. This train Romenia.
E essa foi a historia de como andamos perdidos pela Hungria Rural ate (algumas horas depois e muita linguagem gestual praticada) termos conseguido chegar a Budapest.
Confirma-se. Aqui ninguem fala ingles. O melhor e: ele falam connosco em hungaro como se percebessemos tudo. E nos rimos. Ja que se disseremos "no hungarian, just english" eles nao iriam perceber de qualquer forma.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Decisoes
Decidimos alterar ligeiramente o percurso do nosso interrail.
Agora, a seguir a Budapeste (que pelos vistos sao duas cidades, Buda e Peste) vamos para Bozar na Transylvanya e depois Sarajevo, depois Split, depois Dubrovnik, depois quem sabe Albania, depois Ljubliana, depois Bled, depois Veneza, depois Cinque Terre, Turim e finalmente Lyon.
Ate mais ver.
Ja nao volto....
Pirogi
Encontrei o meu alimento preferido de todo o sempre: Pirogi Ruska
Que e como quem diz Dumplings Russos mas sao melhores do que qualquer dumpling. Massa de baatata enrolada em massa de batata com molho de batata e acompanhado por batata.
Bom.
A ronda dos mendigos
Seis da manha. Bate o revisor na porta do compartimento.
- Gindobrie, you will arrive in krakow in 20 minutes.
Olho para o relogio: seis da manha. Volto a olhar. Continuam a ser seis da manha. Fecho os olhos e sinto o cancaso do meu corpo: confirma-se, sao seis da manha.
Chegando ao hostel, a senhora da recepcao diz-nos: O check in e so as duas da tarde.
Fizemos as contas. Oito horas. Ainda faltavam oito horas ate podermos dormir de novo.
E diz a Marina numa tentativa de optimismo vigoroso:
- Va! Vamos conhecer a cidade e as duas voltamos para dormir!
Do outro lado um som que me pareceu um sim. La fomos nos.
Andavamos em marcha lenta. E a nossa cabeca insistia em lembrar-nos:
Sono, sono, sono. Cansaco, sono, cansaco. Exaustao.
- E se nos sentassemos um pouquinho neste banco?
De sentados passamos a deitados e, num segundo, a conversa deu lugar ao silencio.
O momento foi interrompido por uma voz autoritaria:
- What has happened here?
Um sobressalto! Ahm? O que? o que se passa? Ah, e para abrir os olhos. Choque. Um policia. Um carro de policia. Umas cacetete, umas algemas. Ahm?
O coracao parou. Nao consegui falar.
O chico la tentou explicar. O senhor percebeu. Deixou-nos com o aviso.
- Don't sleep again in public spaces.
Nos assentimos e vimo-lo seguir a "ronda dos mendigos". O proximo mendigo estava no banco ao nosso lado. Nao devia tomar banho ha um mes e, provavelmente, estava bebado.
La no fundo identificamo-nos com ele.
Isso assustou-nos e fomos conhecer a cidade.
Olhei para o relogio. Eram oito da manha. Ainda faltavam seis horas para podermos dormir de novo.
- Gindobrie, you will arrive in krakow in 20 minutes.
Olho para o relogio: seis da manha. Volto a olhar. Continuam a ser seis da manha. Fecho os olhos e sinto o cancaso do meu corpo: confirma-se, sao seis da manha.
Chegando ao hostel, a senhora da recepcao diz-nos: O check in e so as duas da tarde.
Fizemos as contas. Oito horas. Ainda faltavam oito horas ate podermos dormir de novo.
E diz a Marina numa tentativa de optimismo vigoroso:
- Va! Vamos conhecer a cidade e as duas voltamos para dormir!
Do outro lado um som que me pareceu um sim. La fomos nos.
Andavamos em marcha lenta. E a nossa cabeca insistia em lembrar-nos:
Sono, sono, sono. Cansaco, sono, cansaco. Exaustao.
- E se nos sentassemos um pouquinho neste banco?
De sentados passamos a deitados e, num segundo, a conversa deu lugar ao silencio.
O momento foi interrompido por uma voz autoritaria:
- What has happened here?
Um sobressalto! Ahm? O que? o que se passa? Ah, e para abrir os olhos. Choque. Um policia. Um carro de policia. Umas cacetete, umas algemas. Ahm?
O coracao parou. Nao consegui falar.
O chico la tentou explicar. O senhor percebeu. Deixou-nos com o aviso.
- Don't sleep again in public spaces.
Nos assentimos e vimo-lo seguir a "ronda dos mendigos". O proximo mendigo estava no banco ao nosso lado. Nao devia tomar banho ha um mes e, provavelmente, estava bebado.
La no fundo identificamo-nos com ele.
Isso assustou-nos e fomos conhecer a cidade.
Olhei para o relogio. Eram oito da manha. Ainda faltavam seis horas para podermos dormir de novo.
Imi!
- Ti tidi mimidi! - disse o Chico num bar checo qualquer entre canecas de cerveja.
E assim se iniciou a conversa.
- Voces tem uma lingua propria e? - pergunta o Tristao.
- E a linguagem bebederia, basta substituires as vogais por i. Tipo, Ti tidi mimidi.
O Tristao achou querido.. Nos continuamos a conversa. Mas, de repente, um problema de comunicacao.
- I qui? - pergunto
- IMI! - diz o chico
- ih?
- IMI!
Olhei para o tristao e disse: Nao o percebo. E foi entao que o tristao concluiu:
- Ele esta a dizer que de ama. Amo = Imi.
No fim descobrimos que o que ele estava a dizer era que queria pedir mais "IMI" cerveja.
I quisis qui ninqui midim!
E assim se iniciou a conversa.
- Voces tem uma lingua propria e? - pergunta o Tristao.
- E a linguagem bebederia, basta substituires as vogais por i. Tipo, Ti tidi mimidi.
O Tristao achou querido.. Nos continuamos a conversa. Mas, de repente, um problema de comunicacao.
- I qui? - pergunto
- IMI! - diz o chico
- ih?
- IMI!
Olhei para o tristao e disse: Nao o percebo. E foi entao que o tristao concluiu:
- Ele esta a dizer que de ama. Amo = Imi.
No fim descobrimos que o que ele estava a dizer era que queria pedir mais "IMI" cerveja.
I quisis qui ninqui midim!
domingo, 10 de agosto de 2008
Tugas!
A coisa mais gira de ser Tuga (marina nao incluida!) e procurar tugas noutras partes do mundo. Quando penso nisso lembro-me sempre da Laetitia e de como ela ficava irritada por estar sempre a esbarrar com franceses em todo o lado. Com os brasileiros passa-se o mesmo. Parecem uma praga (ahaha apanharam a piada?).
Mas com os Tugas e diferente. Sao raros e andam sempre aos molhos. A teoria em relacao aos tugas comecou cedo.
Os tugas sao vampiros. Andavam em Amsterdao, nao se sabe bem onde, (talvez nos museus que nao tinhamos dinheiro para pagar) e so os viamos a noite. Hordes e hordes de familias dos nove aos 99. Mas hoje a teoria foi superada. So alguns tugas sao vampiros. Ha outro bem diurnos, e andam em grupos de 100.
- Olha ai os velhinhos a comprar santos
- E os estupidos passaram nos a frente
Foi entao que percebemos. Os velhiunhos eram tugas. Uffa... que sorte que nao nos ouviram.
- Tambem sao portugueses? - pergunta a velhinha, contente por nao ter mais de arranhar o seu ingles
- Sim - Dissemos em coro enquanto pensamos desesperados: ouviu-nos ou nao?
- Ja viram ali a Nossa Senhora de Fatima a venda na loja?
E foi entao que percebemos. Os tugas ou sao vantipiros e andam em familia, ou sao diurnos e compram souvenirs de Nossa Senhora de Fatima em Praga.
Ai esta uma boa teoria!
Mas com os Tugas e diferente. Sao raros e andam sempre aos molhos. A teoria em relacao aos tugas comecou cedo.
Os tugas sao vampiros. Andavam em Amsterdao, nao se sabe bem onde, (talvez nos museus que nao tinhamos dinheiro para pagar) e so os viamos a noite. Hordes e hordes de familias dos nove aos 99. Mas hoje a teoria foi superada. So alguns tugas sao vampiros. Ha outro bem diurnos, e andam em grupos de 100.
- Olha ai os velhinhos a comprar santos
- E os estupidos passaram nos a frente
Foi entao que percebemos. Os velhiunhos eram tugas. Uffa... que sorte que nao nos ouviram.
- Tambem sao portugueses? - pergunta a velhinha, contente por nao ter mais de arranhar o seu ingles
- Sim - Dissemos em coro enquanto pensamos desesperados: ouviu-nos ou nao?
- Ja viram ali a Nossa Senhora de Fatima a venda na loja?
E foi entao que percebemos. Os tugas ou sao vantipiros e andam em familia, ou sao diurnos e compram souvenirs de Nossa Senhora de Fatima em Praga.
Ai esta uma boa teoria!
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