"A maior das viagens começa com um simples passo..."
- João P. Cliché in "Memórias de mis frases-feitas"

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Szimpla

A rua era duvidosa (muito). A conversa que se ouvia era a seguinte:
- Ah, portanto sao estes os gajos que nos vao roubar os rins.
Mas os nossos amigos nos diziam que iria valer a pena. Fomos na confiaca.
A entrada tres tipos, nos seus cinquenta anos, alimentavam a sua bebedeira. Nao havia porta, nem hall, nem louge. Havia paredes com buracos, encanamentos a mostra e a direita um quatro con bicicletas penduradas na parede e contetores de lixo.
Continua-se a andar em frente e BUM.
Um bar gigante (dois andares, varanda, patio). Meio litro de cerveja (da forte) custava dois euros e as pessoas falvam aquela lingua que nao percebemos.
Pus me a imaginar como foi montada aquela decoracao. Imagem dois tipos que um dia compraram aquele casarao abandonado e sairam para ir a compras de mobilia. Imaginem-nos no ferro velho e nas lojas de segunda mao. Esta mesa com uma perna partida deve servir (um pouco de verniz, um pouco de tinta e ja esta), esta cadeira de ferro cheia de rorocos barrocos ficava era bem se a pintassemos metade de verlho e outra metade de azul (da um ar cool). As compras comecaram assim. Mas eles foram empolgando-se. Quando deram por eles tinha comprado um carro amarelo (em que os assentos fazem de cadeiras e o volante faz de mesa), umas televisoes velhas (que exibiam umas imagens psicadelicas) e duas banheiras.
Nos ficamos nas banheiras (cortadas de um lado e revistidas de almofadas para nos podermos sentar).
O resto e a historia de como jogos para beber transformavam noites em noites memoraveis.
E viva Budapeste.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Budapest? No Budapest

O terreno esta a tornar se cada vez mais escorregadio. Na polonia nao sabiamos comunicar mas, como diz o chico, eles pelo menos conheciam a linguam universal dos gestos. por aqui nao.
Estavamos, portanto, no comboio de cracovia para budapest quando, as cinco da manha, entra o controlador do bilhete.
- Budapest? No Budapest, this train Bucharest.
Nao nao mas nos compramos bilhetes para budapeste, estava la escrito quando o comboio chegou temos a certeza que estamos no comboio certo.
- No, no Budapest, Bucharest. Must leave.
- But how? Why?
- No Budapest, this train Bucharest.
- Where are we?
- Must leave. This train Romenia.

E essa foi a historia de como andamos perdidos pela Hungria Rural ate (algumas horas depois e muita linguagem gestual praticada) termos conseguido chegar a Budapest.
Confirma-se. Aqui ninguem fala ingles. O melhor e: ele falam connosco em hungaro como se percebessemos tudo. E nos rimos. Ja que se disseremos "no hungarian, just english" eles nao iriam perceber de qualquer forma.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Decisoes

Decidimos alterar ligeiramente o percurso do nosso interrail.

Agora, a seguir a Budapeste (que pelos vistos sao duas cidades, Buda e Peste) vamos para Bozar na Transylvanya e depois Sarajevo, depois Split, depois Dubrovnik, depois quem sabe Albania, depois Ljubliana, depois Bled, depois Veneza, depois Cinque Terre, Turim e finalmente Lyon.

Ate mais ver.



Ja nao volto....

Pirogi

Encontrei o meu alimento preferido de todo o sempre: Pirogi Ruska

Que e como quem diz Dumplings Russos mas sao melhores do que qualquer dumpling. Massa de baatata enrolada em massa de batata com molho de batata e acompanhado por batata.

Bom.

A ronda dos mendigos

Seis da manha. Bate o revisor na porta do compartimento.
- Gindobrie, you will arrive in krakow in 20 minutes.
Olho para o relogio: seis da manha. Volto a olhar. Continuam a ser seis da manha. Fecho os olhos e sinto o cancaso do meu corpo: confirma-se, sao seis da manha.
Chegando ao hostel, a senhora da recepcao diz-nos: O check in e so as duas da tarde.
Fizemos as contas. Oito horas. Ainda faltavam oito horas ate podermos dormir de novo.
E diz a Marina numa tentativa de optimismo vigoroso:
- Va! Vamos conhecer a cidade e as duas voltamos para dormir!
Do outro lado um som que me pareceu um sim. La fomos nos.
Andavamos em marcha lenta. E a nossa cabeca insistia em lembrar-nos:
Sono, sono, sono. Cansaco, sono, cansaco. Exaustao.
- E se nos sentassemos um pouquinho neste banco?
De sentados passamos a deitados e, num segundo, a conversa deu lugar ao silencio.
O momento foi interrompido por uma voz autoritaria:
- What has happened here?
Um sobressalto! Ahm? O que? o que se passa? Ah, e para abrir os olhos. Choque. Um policia. Um carro de policia. Umas cacetete, umas algemas. Ahm?
O coracao parou. Nao consegui falar.
O chico la tentou explicar. O senhor percebeu. Deixou-nos com o aviso.
- Don't sleep again in public spaces.
Nos assentimos e vimo-lo seguir a "ronda dos mendigos". O proximo mendigo estava no banco ao nosso lado. Nao devia tomar banho ha um mes e, provavelmente, estava bebado.
La no fundo identificamo-nos com ele.
Isso assustou-nos e fomos conhecer a cidade.
Olhei para o relogio. Eram oito da manha. Ainda faltavam seis horas para podermos dormir de novo.

Imi!

- Ti tidi mimidi! - disse o Chico num bar checo qualquer entre canecas de cerveja.
E assim se iniciou a conversa.
- Voces tem uma lingua propria e? - pergunta o Tristao.
- E a linguagem bebederia, basta substituires as vogais por i. Tipo, Ti tidi mimidi.
O Tristao achou querido.. Nos continuamos a conversa. Mas, de repente, um problema de comunicacao.
- I qui? - pergunto
- IMI! - diz o chico
- ih?
- IMI!
Olhei para o tristao e disse: Nao o percebo. E foi entao que o tristao concluiu:
- Ele esta a dizer que de ama. Amo = Imi.
No fim descobrimos que o que ele estava a dizer era que queria pedir mais "IMI" cerveja.
I quisis qui ninqui midim!

domingo, 10 de agosto de 2008

Tugas!

A coisa mais gira de ser Tuga (marina nao incluida!) e procurar tugas noutras partes do mundo. Quando penso nisso lembro-me sempre da Laetitia e de como ela ficava irritada por estar sempre a esbarrar com franceses em todo o lado. Com os brasileiros passa-se o mesmo. Parecem uma praga (ahaha apanharam a piada?).
Mas com os Tugas e diferente. Sao raros e andam sempre aos molhos. A teoria em relacao aos tugas comecou cedo.
Os tugas sao vampiros. Andavam em Amsterdao, nao se sabe bem onde, (talvez nos museus que nao tinhamos dinheiro para pagar) e so os viamos a noite. Hordes e hordes de familias dos nove aos 99. Mas hoje a teoria foi superada. So alguns tugas sao vampiros. Ha outro bem diurnos, e andam em grupos de 100.
- Olha ai os velhinhos a comprar santos
- E os estupidos passaram nos a frente
Foi entao que percebemos. Os velhiunhos eram tugas. Uffa... que sorte que nao nos ouviram.
- Tambem sao portugueses? - pergunta a velhinha, contente por nao ter mais de arranhar o seu ingles
- Sim - Dissemos em coro enquanto pensamos desesperados: ouviu-nos ou nao?
- Ja viram ali a Nossa Senhora de Fatima a venda na loja?

E foi entao que percebemos. Os tugas ou sao vantipiros e andam em familia, ou sao diurnos e compram souvenirs de Nossa Senhora de Fatima em Praga.
Ai esta uma boa teoria!